Conhecer a história de lugares significativos em nossa vida permite reconhecer que somos parte dessa história. Além disso, aprofunda os conhecimentos já construídos a respeito das mudanças que ocorreram em nossa cidade, em função dos avanços tecnológicos, do modo como os agrupamentos humanos ocuparam o espaço urbano, das necessidades e anseios das pessoas para responder a diferentes demandas. Conhecer as mudanças, relacioná-las ao momento em que ocorreram, identificar algumas de suas causas é também perceber como o espaço geográfico é construído.
O bairro em que moramos é um lugar muito importante para cada um de nós, pois é nele que encontramos nossa moradia, a rua onde brincamos, o local de compras, onde vivem amigos e vizinhos.
Visando ampliar o conhecimento do espaço de vivencia dos alunos foi proposto, em geografia, o estudo do bairro.
Primeiramente os alunos fizeram um passeio com a família pelo bairro onde moram e registraram suas impressões e observações. Eles puderam observar com um olhar crítico o bairro em que vivem, seu aspecto, tipos de residências, serviços públicos nele realizados, entre outras situações.
Na sequência, foi proposta uma pesquisa sobre a história do bairro de vivencia e entrevistas com antigos moradores do bairro.
Leiam, a seguir, algumas das produções da turma!
Barra Funda

Passeio pelo Bairro
Eu moro na Barra Funda.
No meu bairro temos atualmente um grande número de casas, prédios residenciais
e comerciais também, destacando-se em número os residenciais. Antigamente, havia muitas casas residenciais,
e, com o passar do tempo, houve um aumento nas construções de prédios e
comércio. É considerado um bairro de classe média, com residências simples e
médias. No entanto, tem se destacado com construções luxuosas na parte nobre do
bairro próximo às marginais e grandes avenidas. No percurso que fiz, observei duas
áreas verdes: uma conservada e a outra não. As ruas estão bem pavimentadas e, às
vezes, tem um tráfego de veículos (dependendo do horário). As calçadas
apresentam boas condições e sinalização para carros e pedestres, que tem facilidade
para atravessar as ruas com semáforos e passarelas.
História do Bairro
Por volta de 1850, a
área da Barra Funda era a grande chácara Carvalho, que pertencia ao Conselheiro Antônio Prado. A região nasceu de urna, divisão do sítio
Iguape de propriedade do Barão de Iguape. Para ter uma ideia da grandeza de tal
chácara, Prado contratou Luigi Puci, o responsável pelo projeto do Museu do lpiranga, para fazer o projeto da sede (a Casa Grande
da chácara). Ela ainda existe e é ocupada por uma escola católica.
Antigamente, a barra do Tietê na região era muito funda e, por isso, deram
o nome do bairro de Barra Funda. Nos últimos anos do século 19, a chácara foi
loteada e, por estar próxima do centro e receber trilhos da São Paulo Railway
em suas terras, cresceu rapidamente, juntamente com os trilhos e os moradores,
vieram também às indústrias que fez a região crescer rapidamente.
Fonte: http://sampa.art.br/bairros/barrafunda/
Hoje
Antigamente
Entrevista
com morador antigo do Bairro
Célia Carvalho
(vizinha – moradora do meu
prédio)
Segundo a entrevistada
Célia, antigamente a vida era bem diferente de agora na Barra Funda: as
crianças podiam brincar nas ruas sem preocupação com a violência, os meios de
transporte principais eram: trem, bonde e bicicletas, e a maior parte das
moradias eram casas residenciais. Os problemas enfrentados na época eram devido
às enchentes que os moradores enfrentavam devido à área, que por ser baixa,
inundava com facilidade com as cheias do rio Tietê. Com o passar do tempo e
investimento do governo local em obras de canalização e pavimentação, o bairro
cresceu muito com a construção de comércios, prédios e grandes obras como:
Memorial da América Latina, Terminal Barra Funda e Fóruns Criminal e
Trabalhista, entre outros. Hoje é um
bairro que, apesar da violência que temos nas ruas, como em qualquer bairro da
cidade de São Paulo, é um ótimo local para se morar.
Amanda dos Santos Cristino
Pompeia
Passeio pelo Bairro
No meu bairro há mais prédios do que casas e
a maioria dos prédios são de uso residencial e pertencente à classe média e
alta. As casas que ainda restam são, em grande parte, estabelecimentos
comerciais que ficam espalhados pelo bairro ou concentrados em algumas ruas,
como por exemplo, a Rua Afonso Bovero.
O bairro é bem arborizado, mas a única área
verde que se encontra é o Parque da Água Branca, em bom estado de conservação.
As árvores do bairro precisam de uma atenção maior, pois muitas vezes caem por
falta de cuidados e infestação de insetos.
As ruas são totalmente pavimentadas e
dependendo do local existe ou não um tráfego intenso de veículos. Existem
várias feiras de rua, uma delas na Rua Tucuna, às sextas-feiras. Essas feiras
prejudicam bastante o tráfego.
As condições gerais do bairro são boas, com
exceção das ruas onde não existem faróis para facilitar a travessia dos
pedestres. As calçadas são pavimentadas, contudo apresentam muitos desníveis e
buracos prejudicando o deslocamento das pessoas, principalmente os mais velhos
e pessoas com deficiência física.
O Bairro tem boa infraestrutura de comércio,
hospitais, escolas, entre outros.
História do Bairro
Em torno de 1910 surgiu um loteamento
dividindo as chácaras anteriormente existentes no que hoje é o Bairro da
Pompéia. O responsável por esse loteamento, o empresário Rodolpho Miranda, fez
uma homenagem a sua esposa chamada Aretusa Pompéia, batizando o novo bairro
como o nome de Vila Pompéia. Vários imigrantes foram atraídos pelas indústrias
que se instalaram na região e adquiriram lotes, onde fixaram suas residências.
Em 1920 uma graça concedida ao casal Cláudio
de Souza e Luiza Leite de Souza, na cidade de Pompéia na Itália, fez com que o
casal, retornando ao Brasil erguesse uma capela com a imagem de Nossa Senhora
do Rosário. Essa capela, mais tarde, foi entregue aos padres camilianos e em
1928 em seu lugar começou a ser construída a Igreja Nossa Senhora do Rosário de
Pompéia.
A região cresceu bastante depois da chegada
dos padres Camilianos. O Padre Inocente Radrizanni foi um dos primeiros
Camilianos a virem para o Brasil. Ele se encantou com a região e construiu a
primeira Casa dos Camilianos, o primeiro seminário e logo em seguida a
policlínica.
A história da família Matarazzo tem muita
influência na evolução da Vila Pompéia, já que sua principal indústria foi
construída no terreno de frente para o que hoje é o Shopping Bourbon (lugar em
que, até meados dos anos 90, ficava o Shopping Matarazzo), atraindo muitas
pessoas pela oferta de empregos.
O futebol chegou ao Brasil no século XIX
conquistando rapidamente a população, inclusive no bairro da Pompéia, onde
vários times foram organizados.
O Parque Antárctica, de propriedade da
Companhia Antárctica Paulista foi inaugurado em 1902 com bosque, campo de
futebol e um restaurante, servindo de lazer para famílias mais ricas.
Em 1917 o Palestra Itália, fundando pelos
imigrantes italianos, adquiriram os terrenos do parque, porém, durante a
segunda Guerra Mundial, com medo de represálias, o nome foi alterado para
Sociedade Esportiva Palmeiras.
A Sociedade Esportiva Palmeiras foi muito
importante para unir gerações em torno do esporte e colaborar para o
estabelecimento de amizades entre as famílias.
Em 1930 escolas maiores começaram a ser
criadas como o Grupo Escolar da Vila Pompéia que deu origem à Escola Miss
Browne em 1942 e Colégio Sagrado Coração de Jesus.
A partir de 1970 importantes movimentos e
espaços culturais surgiram como a Escola de Samba Águia de Ouro e o SESC
Pompéia.
Assim, desde seu surgimento o bairro Pompéia
vem passando por diversas transformações, inicialmente um bairro horizontal com
suas casas e sítios e hoje, um bairro verticalizado pelos modernos edifícios.
Fonte:
http://integrapompeia.blogspot.com.br/p/historia-da-pompeia-02.html
Foto de 1972 mostra a avenida Pompeia quando o bairro tinha
apenas 62 anos
Imagem aérea de 1964 mostra o estádio do
Palmeiras, conhecido como Palestra Itália, na zona oeste da
capital paulista
A Casa das Caldeiras, na avenida Francisco
Matarazzo, construída na década de 20. A Casa das Caldeiras foi tombada em
1986 como edificação remanescente das Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo.
AVENIDA POMPÉIA – 1947, esquina com rua Cajaíba
Depoimentos
Márcia Margarida de Oliveira
42
anos
O bairro era muito residencial, muitas casas
do tipo germinadas, de construção mais antiga não as modernas como de hoje.
Atualmente o bairro tem passado por grandes transformações principalmente na
construção de prédios luxuosos, como foi o caso da casa onde viveu que vendeu
para uma construtora que construiu um prédio de luxo. Outra mudança que ocorreu
foi que os antigos comércios como bazar, papelaria, lavanderia entre outros,
transformaram-se em "Barzinhos", Casa de Espetos e também aquelas
lanchonetes diferentes que, por exemplo, vendem açaí na tigela. Também tem Casa
de Pastel, Comida Mexicana. Percebeu que muitas pizzarias encerraram suas
atividades. Nesse período também foi construído o Shopping Bourbon que contribuiu
para a intensificação do trânsito local. Deve ser considerado também o aumento
considerável de moradores na região. Em 2006 morou quatro meses na casa da mãe
e percebeu que o Bairro se tornou mais caro, em comparação a Região onde mora
hoje. Também ressalta que a infraestrutura do Bairro está afetada
principalmente nos períodos de chuva, onde lugares que não alagavam agora
sofrem todos os anos. Lembra-se do DIC - Loja de calçados e que atualmente são
as lojas Americanas, World Tennis e Barreds. Também existia a fábrica da Petybon
onde se comprava biscoito direto da fábrica. O comércio na Av. Professor
Alfonso Bovero tem se modernizado (lojas mais atuais), porém muitos prédios
ainda permanecem desde sua construção. Também houve o crescimento de ampliação
das Instituições de Ensino, como o Colégio EMECE (ampliou sua infraestrutura e
Unidades). O Bairro tinha sua constituição populacional de idosos hoje acredita
que são mais jovens que o ocupam. Era um Bairro praticamente residencial, hoje
com outra característica: mais movimento tendo em vista a instalação dos
barzinhos e assim frequentado por gente mais jovem (entre seus 20 - 40 anos).
Das suas tradições não se pode esquecer a Feira de Artes da Pompéia que já está
na sua 26ª edição. Outra observação é a Igreja da Pompéia que se modernizou e
ampliou suas instalações. Apesar de o bairro ter sido invadido por um comércio
mais atual, percebe-se que a Av. Pompéia ainda permanece com suas
características de antigamente, com casas de grande porte, porém transformadas
em escritórios e comércio.
Angela Célia Garcia
48
anos
Era um bairro tranquilo, as pessoas punham
cadeiras nas calçadas de noite para conversar. Havia poucos prédios, lembra-se
de existirem somente 4 ou 5 deles nos anos 1970. Perto de onde ela morava,
havia a padaria, a banca de jornal, e uma pequena lojinha que vendia de tudo.
Conheciam os comerciantes e eles os conheciam. As feiras livres na rua já
existiam. A mãe fazia todas as compras lá e os feirantes entregavam em casa.
Com o tempo o comércio aumentou, muitas casas foram demolidas para dar lugar a
inúmeros edifícios altos, mais escolas, novos supermercados, bares,
restaurantes. O trânsito também está mais intenso. Já o transporte público
diminuiu sensivelmente. O motivo dessas mudanças é o aumento da cidade e da
população. Viam pouca televisão e não existia o computador. Dormiam cedo para
aproveitar bem o dia e sempre encontravam companhia para alguma atividade.
Havia o clube Palmeiras, um cinema na Rua Cotoxó e brincavam nos quintais ou
mesmo na rua. Em fins de semana havia bailes no clube. De dia usavam a piscina,
as quadras e todos os espaços para diversão. Para se locomoverem utilizavam
ônibus ou, distâncias curtas a pé. Por um período foi à escola a pé, pois ficavam
a uns cinco quarteirões da sua casa. Depois, foi estudar perto da Av. Paulista
e tomava ônibus. Lembrou-se que os ônibus passavam de cinco em cinco minutos.
Hoje chega a esperar 40 minutos por um ônibus. O maior problema enfrentando e
que persiste até hoje são as enchentes na Rua Turiassú.
Gabriel
Antônio Alvim D’Arco